O pedido de delação premiada ou "colaboração definitiva" feito pela Odebrecht mexe com o mundo político como um todo – governo e oposição, igualmente. 

Uma das mais antigas empresas do país, tem 72 anos, é conhecida doadora de campanhas eleitorais, sem preferências ideológicas, mas sob o critério da proximidade com o poder.

O que mais preocupa políticos neste momento é o que contam os baianos: Marcelo Bahia Odebrecht herdou do avô Norberto o hábito de ter tudo, tudo anotado. 

Aliás, foram as anotações e mensagens de Marcelo no celular que abriram os olhos da força-tarefa da Lava Jato para a extensão das doações eleitorais e pagamentos de propina por todo o país.

É lembrado pelos baianos que Norberto dizia que "dançava conforme a música" – se o governo trabalhava sob o rigor das normas, a empresa seguia no mesmo ritmo; mas se a senha indicasse necessidade do pagamento de propina, lá estavam os pagamentos no caixa dois. 

E tudo devidamente anotado em planilhas, como foi descoberto, agora, na fase Xepa da Operação Lava Jato que identificou o segredo do departamento de propina da empresa.

No Congresso, ninguém ousa falar nada publicamente sobre o assunto. Cada um guarda para si as preocupações. Mas que estão muitos com nervos à flor da pele, isso estão. O desafio agora é decodificar os apelidos dados.